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A gente aprende…

7 Mar

A intenção era fazer pós fora do país, mas, 9 meses depois, percebo que ganhei em troca muito mais do que um diploma. Além de todas lições de William Shakespeare, descobri que um dia a gente aprende a vestir o sapato do outro e aceitar algumas atitudes antes intoleráveis: diante dos novos desafios, cada um se vira como pode. A gente aprende que, quando se está sozinho, bastam 2 segundos para confiar numa pessoa: certas coisas são impossíveis a 2 mãos. Aprende a ser independente e sobreviver longe da asa protetora dos pais. Aprende que dá para dividir a casa, o quarto, a comida, mas muitas vezes doí dividir solidão. Aprende que Skype é melhor que e-mail, mas nada como abrir uma carta que não é do banco! Com o tempo a gente aprende que nosso nível crítico depende do ambiente e da segurança. A gente aprende a valorizar as coisas simples: o sol batendo no rosto para te acordar, o barulho das bicicletas na rua, o moço do café que te comprimenta pelo nome. Também aprende que coisas pequenas fazem muita falta: misto quente no pão francês, o cheiro do lençol de casa, a música do carro do teu pai. Aprende que a marca do supermercado é boa e barata, mas bolacha tem que ser Oreo. A gente aprende que brasileiro é querido no mundo inteiro, e, sim, somos conhecidos pela alegria, pelo carnaval e futebol. Aprende que casa é o local onde queremos pertencer. Aprende a sair da zona de conforto e conhecer os nossos limites. Aprende que é possível ser feliz sozinho, mas é muito mais divertido junto. A gente aprende que sotaque nem sempre é ruim e que grande parte da nossa comunicação não é feita com palavras. Aprende também que discutir relação e falar de sentimentos é difícil em qualquer idioma. A gente aprende que pessoas diferentes de nós são as que mais nos ensinam. Aprende que o tempo é relativo e passa mais rápido quando se está aproveitando. Também aprende que quem tem saudade nem sempre liga, escreve ou manda sinal, mas isso não quer dizer que não sente falta. Aprende a se apegar com extrema facilidade, mas não aprende (nunca?!) a desapegar na mesma proporção. Com o tempo a gente aprende que só não vê o próximo sorrindo se andar de cabeça baixa…

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Amigos

21 Jul

No dicionário (Houaiss, no caso) a definição é clara:

1. que ama, que demonstra afeto, amizade; afeiçoado

2. em que há amizade, benevolência; amical

3. cuja expectativa é favorável; benigno, propício

4. que ou aquele que é ligado a outro(s) por laços de amizade

5. que ou aquele que nutre admiração (por alguém ou algo); apreciador, amante

6. que ou o que ampara, defende.

Eu não poderia explicar melhor. E, finalmente, posso dizer que entendo e concordo com a definição acima. Sempre achei que a verdadeira amizade tinha, como uma das principais características, a eternidade. Mas é com o tempo que você percebe e aprende que amigo não precisa ser o melhor amigo, nem o velho amigo. E, acredite, amigo não precisa ser para sempre: basta, simplesmente, ser amigo.

A grande questão é aceitar que as pessoas entram na nossa vida em diferentes fases: por uma “razão”, uma “estação” ou até mesmo para “vida inteira”… E é quando você percebe em qual dessas fases se encaixam as pessoas que aprende como lidar e o que fazer por elas: em alguns momentos, amigos são aqueles que atendem nossas necessidades e desejos. Depois de fazer esse trabalho, simplesmente partem para o próximo. Quando entram em nossas vidas por uma “estação” normalmente trazem consigo alguma experiência, passam contigo um período de suas vidas e depois se vão, deixando saudades. Também têm aqueles que vêm para a “vida inteira” e ficam conosco nos bons e maus momentos. Ensinam até quando ficam em silêncio…

Independente do tempo que passam conosco, amigos são pessoas que nos marcam e, com certeza, serão lembrados em algum momento durante a nossa vida. Esse post é para dizer que lembrei de vocês. Obrigada por, de jeito ou outro, fazerem parte da minha vida… Hoje eu sei que para ser real, não precisa ser para sempre…

No meio do caminho…

25 Jun

Antes de viajar, entre os inúmeros conselhos que recebi, um, agora, me parece engraçado: Fuja dos brasileiros. Acredito eu que a ideia era me incentivar (por falta de opção) a falar, sempre, inglês. Mas vai saber…

O grupo era pequeno e, no começo, bastante silencioso. Encontramos-nos antes mesmo do sol nascer: para quebrar o gelo, a orientadora sugeriu que nos apresentássemos. Um a um, ainda tímidos, obedecemos ao pedido. Em cada revelação, um encontro – na última apresentação, uma surpresa. Entre orientais e alemães, conheci outra brasileira.

Coincidência engraçada essa: apesar da proximidade em São Paulo, só nos encontramos por aqui. Para mim, o momento não podia ser melhor: o conforto da língua, a alegria da companhia. A compreensão mútua, os objetivos compartilhados. O jeitinho brasileiro em terras californianas…

A impressão que tenho agora é que só sugere para fugir quem nunca sentiu a insegurança de morar sozinho ou a dificuldade da língua estrangeira. Só quer ficar longe dos brasileiros quem nunca viajou para um local desconhecido, quem nunca tentou uma coisa completamente nova. Só divide esse conselho quem nunca encontrou segurança a mais de 9mil km longe de casa. “(ainda bem que) tinha uma brasileira do meio do caminho…”