Como foi que aconteceu?

31 Maio

Como é que pessoas boas e decentes se vêem varridas de repente por correntes do desejo e destroem sem querer vidas e famílias? Pessoas fiéis e confiáveis que, contra seu próprio bom senso ou código moral, se perdem: “eu não procurava amor fora do casamento, só que aconteceu!”.

Shirley Glass, psicóloga, descobriu que, se escavarmos um pouco mais a infidelidade, quase sempre vemos que o caso começou muito antes do primeiro beijo roubado. Segundo ela, a maioria dos casos começa quando o marido ou a mulher fazem um novo amigo e nasce uma intimidade aparentemente inofensiva. Ninguém sente o perigo se aproximar, porque, afinal, o que há de errado na amizade?

A resposta, como explica Glass, é que não há nada errado quando alguém casado começa uma amizade fora do matrimônio, desde que as “paredes e janelas” do relacionamento continuem no lugar certo: a teoria é que todo casamento saudável se compõe de paredes e janelas. As janelas são os aspectos do relacionamento abertos ao mundo, isto é, brechas necessárias pelas quais interagimos com a família e os amigos; as paredes são as barreiras de confiança, atrás das quais ficam guardados os segredos mais íntimos do casamento.

Entretanto, nas amizades supostamente inofensivas, o que acontece é que começamos a dividir com o novo amigo intimidades que deveriam estar escondidas dentro do casamento. Revelamos segredos sobre nós, nossos anseios e frustrações mais profundas, e se expor assim dá uma sensação boa. Abrimos uma janela onde na verdade deveria haver uma parede sólida e resistente, e logo nos vemos derramando os segredos do coração para essa nova pessoa. Não querendo que o cônjuge tenha ciúmes, mantemos ocultos os detalhes da nova amizade. Com isso, criamos um problema: acabamos de construir uma parede entre nós e o cônjuge onde na verdade deveria haver circulação livre de ar e luz. Portanto, toda a arquitetura da intimidade conjugal foi rearrumada. Todas as antigas paredes agora são imensas janelas panorâmicas; todas as antigas janelas agora estão emparedadas como as de uma casa abandonada. Sem perceber, acabamos de criar a planta baixa perfeita para a infidelidade…

(trecho adaptado do livro “Comprometida”, de Elizabeth Gilbert)

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4 Respostas to “Como foi que aconteceu?”

  1. Daniel Mazzei 31 de Maio de 2011 às 11:09 PM #

    T.E.N.S.O ~ alias… MUITO tenso ein.

    • @canaumann 1 de Junho de 2011 às 3:45 PM #

      Esse assunto sempre é… né?!

  2. Leila 18 de Abril de 2012 às 10:42 PM #

    Nossa, nunca pensei dessa forma, faz muito sentido! Comecei a ler Comprometida, mas nunca fluiu. Vou continuar agora.

    • @canaumann 18 de Abril de 2012 às 11:10 PM #

      O começo do livro é mesmo mais pesado, mas depois, eu gostei bastante! Acho que vale a leitura! ;)
      Adoro ver você por aqui, Leila!

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