Escolhas…

8 Abr

Nasci numa família de classe média, no final dos anos 80 e, assim como incontáveis milhões de outras pessoas que nasceram em circunstâncias parecidas, fui criada para acreditar que eu sou especial: A mim, da geração Y, sempre ensinaram que a busca pela felicidade é meu direito de nascença natural – felicidade essa que busco, sempre, em todos os âmbitos. Afinal, o que pode ser melhor do que o equilíbrio perfeito entre família, trabalho, relacionamentos e lazer?

Gozo de possibilidades vastas e magníficas, com alcance quase infinito de escolhas, mas é importante lembrar que isso tem o potencial de criar um tipo próprio de problema. Sou suscetível a incertezas emocionais e neuroses provavelmente nada comuns de outras gerações.

Já parou para pensar na quantidade de escolhas que você toma diariamente? Escolhas fáceis, expressivas, individualistas, às vezes arriscadas.. Mas sempre escolhas! O problema é que não podemos escolher tudo ao mesmo tempo: assim, corremos o risco de ficarmos paralizados pela indecisão, com pavores terríveis de que cada escolha esteja errada… Não que eu esteja disposta a abrir mão da minha vida de anseios individualistas (direitos da minha modernidade), mas, num mundo de possibilidades tão abundantes, sinto que muitos de nós, Ys, simplesmente brochamos de indecisão…

Sei que quando a expectativa de felicidade é pequena talvez seja mais fácil estar protegida de decepções, mas não consigo querer menos, nem reduzir minhas expectativas: eu admito que peço muito, e peço mesmo… Isso é emblemático da minha geração! Permitiram-me esperar grandes coisas da vida, permitiram-me esperar muito mais…

Mas, no final, tem certeza de que era isso mesmo que você queria?

(texto inspirado pela leitura dos primeiros parágrafos do livro “Comprometida”, de Elizabeth Gilbert)

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6 Respostas to “Escolhas…”

  1. GABRIEL DE LA ROSA 9 de Abril de 2011 às 9:59 AM #

    Que delicia de texto. Mesmo mais velho que ti, ainda estou na geração Y e entendo a sua angústia.
    Tomar decisão sobre algo é renunciar todas as outras possibilidades, e isso sim é dureza!

    Beijão

    • @canaumann 12 de Abril de 2011 às 5:12 PM #

      Você, na geração Y? Sei, sei.. =P

  2. Danilo Sousa 12 de Abril de 2011 às 4:59 PM #

    Bem por aí! O grande problema não é fazer uma escolha, mas amargar o desprazer de não ter feito as outras. Probleminha chato esse. O “Paradoxo da Escolha” já virou até livro. Se ainda não leu, dá uma pesquisa. Foi escrito pelo Barry Schwartz. Sempre que fala sobre o comportamento de consumo moderno a Martha Gabriel fala sobre ele.

    Bacana o texto. Curti! Leve, gostoso de ler. Parabéns!

    • @canaumann 12 de Abril de 2011 às 5:14 PM #

      Bom ter você por aqui, Danilo! Justamente esse o problema: é o famoso trade off, né?

      O Paradoxo da Escolha. Anotado!

      Obrigada! E volte sempre! =)

  3. Jessica Sombra (@jessicasombra) 24 de Abril de 2012 às 7:02 PM #

    Oi, Carol! Teu texto fez-me lembrar de uma personagem muito indecisa, de um filme brasileiro chamado “Muita Calma Nessa Hora”. Nasci em 1987. Um misto de indecisão com aquilo que você bem descreveu: “Permitiram-me esperar grandes coisas da vida, permitiram-me esperar muito mais…”. No mais, agradeço a interação pelo Twitter, a ótima leitura que aqui fiz e sua gentileza. Beijos!

    • Carol Naumann 11 de Agosto de 2012 às 1:47 PM #

      Adoro te seguir, Jessica! ;)

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