Amor de mãe…

22 Abr

“O campo da medicina que escolhi obriga-me muitas vezes a ser o mensageiro da má notícia. (…) Quantas vezes, ao adivinhar um futuro sem autonomia, numa criança com grave paralisia cerebral, eu via nos olhos da mãe um desafio amassado em zanga e raiva, que muito simplesmente queria dizer: “isso é o que tu julgas. O meu amor é tal, que a sua força irá restaurar no meu filho capacidades que não suspeitas que existam” Ou não é verdade que a fé move montanhas? Como dizer que infelizmente o amor não repõe células mortas, que não é aí que o problema reside. Se a mãe faz depender a cura da intensidade do seu afeto, e se a cura não vem, então é porque não amou bastante? Que culpabilidade daí não resulta? E qual o preço de uma devoção sem limites que faz esquecer o cônjuge e, muitas vezes, as necessidades de outros filhos sem deficiência?” Trecho do livro: Sinto Muito – de Nuno Lobo Antunes

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