E foi, sem mais nem menos, que eu me descobri diabética

6 Abr

Não tem como esquecer: Carnaval no Rio de Janeiro em fevereiro de 2000. Entre foliões e muita folia, no meio do império das cores, eu me destacava pelo extremo oposto: estava abatida, pálida, não tinha ânimo, passava o dia querendo dormir e meu mau humor era constante. Bebia e comia como ninguém e me tornei especialista em acordar silenciosamente no meio da noite para ir ao banheiro, além de escovar os dentes inúmeras vezes e não conseguir me livrar do hálito adocicado. Com o resto das fantasias, deixei também alguns bons quilos por lá. Apesar de uma tentativa de homicídio – uma médica me mandou para casa descansar e passar na farmácia no dia seguinte – a intuição da minha mãe e a recomendação de uma amiga foi maior: sai da praia carioca direto para os lençóis maranhenses – Sim, passei uma semana internada no hospital São Luiz e fui apresentada ao diabetes. Histórico familiar de diabetes? Não! Sedentária? Não! Hipertensão arterial? Não! Uso de medicamentos que aumentam a glicose? Não! Trauma de infância? Não… Então, por que eu? E foi quando descobri que perguntas existenciais não provocam respostas imediatas – viver é a única maneira de respondê-las. Assumi um preço de ser diferente, e isso requer coragem. Coragem de ser, não só de fazer. É no ser que o fazer encontra sustento – faço a partir do que sou. Quero lembrar que, além e mais do que diabética, sou mulher, sou criança, sou aluna e professora. Sou filha e neta: um dia serei mãe. Sou principal, platéia e coadjuvante da minha própria história. Sou companheira e companhia. Sou formanda, comunicadora e pisciana. Eu sou, e enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas, eu continuarei… Quem é você?

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Uma resposta to “E foi, sem mais nem menos, que eu me descobri diabética”

Trackbacks/Pingbacks

  1. 5 coisas sobre mim « Carol Naumann - 2 de Setembro de 2010

    […] diabética: descobri quando tinha 12 anos, em pleno carnaval. A história completa você por ler aqui. O que queria mesmo dizer é que vivo bem com isso e é possível ter uma vida normal. Minha amiga […]

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